O Burundi fez da transformação económica uma prioridade nacional. No âmbito da sua Visão 2040-2060, que pretende tornar o país uma economia emergente até 2040 e uma nação desenvolvida até 2060, o Governo lançou uma série de reformas destinadas a transformar a agricultura, deixando de ser apenas uma atividade de subsistência para se tornar um verdadeiro motor da industrialização. Embora persistam desafios importantes, os primeiros resultados indicam que esta estratégia começa a dar frutos.
A agricultura no centro da transformação económica
A agricultura representa cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do país e constitui o principal meio de subsistência para grande parte da população. Por isso, o Governo procura ir além da simples exportação de matérias-primas agrícolas, desenvolvendo cadeias de valor capazes de transformar localmente as colheitas em produtos acabados destinados aos mercados nacional, regional e internacional.
Esta estratégia tem como objetivos reforçar a segurança alimentar, reduzir a dependência das importações, aumentar as exportações, criar empregos e atrair mais investimento privado.
O café, símbolo do valor acrescentado
O café, principal cultura de exportação do Burundi, representa um dos melhores exemplos desta nova orientação económica. As autoridades promoveram reformas para melhorar a qualidade dos grãos, reforçar a rastreabilidade, digitalizar parte do processo de comercialização e renovar plantações envelhecidas.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), estas medidas começam a impulsionar as exportações e poderão aumentar de forma sustentável os rendimentos dos produtores se forem plenamente implementadas.
Da agricultura à agroindústria
Além do café, o Governo promove também o desenvolvimento das cadeias de valor do chá, milho, arroz, mandioca, frutas e pecuária. O objetivo é incentivar a instalação de indústrias locais de transformação para que os produtos agrícolas sejam processados dentro do país, em vez de exportados como matérias-primas.
Esta política faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação económica, na qual a agricultura, a energia e a mineração deverão tornar-se os principais motores do crescimento nos próximos anos.
Reformas que reforçam a confiança internacional
Os parceiros internacionais de desenvolvimento têm valorizado os progressos do Burundi em matéria de estabilidade macroeconómica. O FMI estima que o crescimento económico poderá aproximar-se de 4% em 2026 e continuar a fortalecer-se se as reformas estruturais, especialmente na agricultura e nos setores produtivos, prosseguirem.
Por sua vez, o Banco Africano de Desenvolvimento considera que a agricultura continuará a ser um dos principais motores do crescimento económico do país e desempenhará um papel central na sua estratégia de desenvolvimento a longo prazo.
Persistem desafios importantes
Apesar dos avanços, continuam a existir vários obstáculos que travam a transformação agrícola. Os agricultores enfrentam ainda acesso limitado ao financiamento, infraestruturas rurais insuficientes, escassez de insumos agrícolas, efeitos cada vez mais visíveis das alterações climáticas e restrições relacionadas com a disponibilidade de divisas.
A construção de uma agroindústria competitiva exigirá também maiores investimentos em estradas, eletricidade, infraestruturas de armazenamento e unidades de processamento alimentar.
Uma visão ambiciosa em marcha
O Burundi parece ter iniciado uma nova etapa de desenvolvimento ao colocar a agricultura no centro da sua estratégia de transformação económica. As reformas implementadas até agora refletem uma clara vontade de industrializar o setor agrícola e gerar maior valor acrescentado para os produtores e para toda a economia nacional.
Se estas reformas forem mantidas e apoiadas por investimentos públicos e privados robustos, o Burundi poderá transformar o seu enorme potencial agrícola num poderoso motor de crescimento económico, criação de emprego e prosperidade, aproximando-se assim do objetivo de se tornar uma economia emergente em 2040 e um país desenvolvido em 2060.

