Bamako, 20 de junho de 2026 – A Confederação dos Estados do Sahel (AES) deu mais um passo importante na sua consolidação política e diplomática. Reunidos em Bamako, os Ministros dos Negócios Estrangeiros do Burkina Faso, Mali e Níger reafirmaram a sua vontade comum de fortalecer a coesão do espaço saheliano e projetar uma voz unificada na cena internacional.
Presidida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros do Burkina Faso, Karamoko Jean Marie Traoré, esta reunião de alto nível enquadra-se na implementação do Roteiro do Ano II da AES. No centro das discussões esteve o reforço do pilar diplomático, considerado uma ferramenta essencial para consolidar a soberania dos três Estados-membros e defender os seus interesses estratégicos num contexto regional e internacional cada vez mais complexo.
Uma diplomacia comum para aumentar a influência
Perante as transformações geopolíticas e os numerosos desafios enfrentados pelo Sahel, os ministros adotaram várias medidas destinadas a reforçar a coordenação diplomática entre os três países. O objetivo é claro: falar a uma só voz sobre as grandes questões internacionais e aumentar a influência da AES nas instituições mundiais.
Os chefes da diplomacia destacaram as consultas regulares já estabelecidas entre os três Estados e concordaram em aprofundar essa dinâmica. Também discutiram a criação de uma verdadeira rede diplomática confederal para garantir uma representação mais eficaz da AES em todo o mundo.
A poucos meses da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, prevista para setembro de 2026 em Nova Iorque, Mali, Burkina Faso e Níger decidiram coordenar ainda mais as suas posições para defender conjuntamente os interesses do Sahel no cenário internacional.
Uma resposta firme às ameaças de segurança
Para além das questões diplomáticas, a reunião foi marcada por uma posição firme relativamente à situação de segurança na região.
Os ministros condenaram energicamente os ataques terroristas e as tentativas de desestabilização dirigidas contra os Estados-membros da Confederação. Também denunciaram o que classificaram como manobras organizadas por grupos terroristas alegadamente apoiados por atores estatais estrangeiros com o objetivo de travar o avanço da AES rumo a uma maior soberania.
Foi dada especial atenção ao ataque de 25 de abril de 2026 contra as instituições de transição do Mali e à tentativa de incursão no Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamey, no dia 18 de junho. Os ministros elogiaram a reação das forças armadas do Mali e do Níger, bem como a resiliência das populações civis perante estas ameaças.
A AES responde na frente da informação
Outro tema central foi a batalha da comunicação e da informação.
Os ministros denunciaram aquilo que consideram campanhas de desinformação e manipulação dirigidas contra os países da Confederação por determinadas potências estrangeiras e alguns meios de comunicação social. Como resposta, concordaram em reforçar a cooperação entre as estruturas de comunicação dos três países para promover a sua visão e contrariar narrativas consideradas hostis à AES.
Esta decisão reflete a crescente determinação da Confederação em controlar a sua imagem e defender o seu projeto político perante a opinião pública africana e internacional.
Uma Confederação que se consolida
A reunião de Bamako também destacou os progressos institucionais alcançados desde a criação da AES. Os ministros saudaram a entrada em vigor de vários instrumentos jurídicos confederais que continuam a fortalecer a arquitetura institucional da organização.
Através deste encontro, Burkina Faso, Mali e Níger reafirmaram o seu compromisso de construir um espaço integrado baseado na soberania, segurança e prosperidade partilhada.
Num contexto em que as relações entre vários Estados africanos e os seus parceiros tradicionais atravessam profundas transformações, a AES procura afirmar-se como um ator político e diplomático de referência no continente, impulsionado pelas aspirações de milhões de cidadãos do Sahel.

